Banco Central e sua Política Monetária

Neste artigo, veremos como os Bancos Centrais estudam a trajetória da Inflação e do PIB para poder determinar sua política monetária e o rumo dos Juros de uma nação. Os Bancos Centrais fazem seus ajustes sabendo que a sua meta é para cumprir exclusivamente a inflação, não para cumprir uma meta de crescimento do PIB ou da economia como, por exemplo, os Estados Unidos, que além de controlar a inflação, têm o dever de mitigar o desemprego.

como cumprir as metas de inflação?

Uma das maneiras de ue os Bancos Centrais possam controlar a inflação, é calibrando a quantidade de dinheiro em circulação. Conceito econômico de dinheiro:

M1: dinheiro vivo e em conta corrente — dinheiro rápido em espécie;

M2: M1 + aplicações de curto prazo — liquidez de curto prazo;

M3: M2 + depósitos de fundos menos líquidos.

MZM: Todo o dinheiro que pode ser resgatado a valor de poupança.

velocidade do dinheiro

Por exemplo, em janeiro do ano 2000, a oferta de M2 na mão dos americanos era bem mais baixa do que é hoje, em agosto de 2020–20 anos depois, a oferta na mão do povo é 5x vezes maior — quase 20 Trilhões de Dólares. Ou seja, tanta moeda em giro para tentar aumentar a velocidade do dinheiro, tentar aumentar a frequência que o dinheiro troca de mãos em negociações.

Uma queda no giro de M1, é associado a uma queda no consumo, as pessoas não estão sacando dinheiro dos bolsos para gastar, o consumo diário cai. Mais dinheiro que o Governo injeta na economia, maior a velocidade com que o dinheiro gira.O aumento de base monetária nas economias faz o dinheiro circular mais, as pessoas ficam com menos medo de gastar.

política monetária

A taxa básica de juros é uma variável chave no controle de M2, e no controle do comportamento geral do mercado financeiro. É a principal variável das economias, chamada aqui no Brasil de Taxa Selic. A taxa de juros, direciona os movimentos dos investidores, decidir por ir por um segmento ou outro dependendo do patamar das taxas de juros.

Nos momentos atuais, quando a taxa de juros cai, o movimento dos investidores se dá na direção contrária, saem da renda fixa e desaguam na renda variável a procura de risco e retorno de maior rentabilidade — junto a bolsa, imóveis ou startups.

No caso da pandemia, as ações desmoronaram de 120mil pontos a 60mil, os investidores estrangeiros saíram todos, o Dólar disparou com o desmanche dos grandes investidores de suas posições acionárias e protegeram-sa n segurança da moeda americana, posteriormente a bolsa brasileira veio a subir, mas com a entrada de investidores locais dessa vez por conta da queda da SELIC para estimular a economia. Os investidores estrangeiros não voltaram para a bolsa brasileira até outubro de 2020, apenas a partir de outubro viemos a configurar um fluxo positivo dinheiro por aqui. Não à toa o real foi perdendo valor diante de todas as circunstâncias e faltas de reformas prometidas desde 2018.

Quando os juros caíram de 14% para 2%, evidentemente que expurgou os investidores de Renda Fixa para outros horizontes, tanto brasileiros como estrangeiros. Além disso, taxas de juros mais baixas estimulam o consumo e o custo da produção dos produtos. Com taxas de juros mais baixas, as empresas se sentem mais encorajadas a investir mais, estimula a captação de crédito, arriscam a conquistar mais marketshare e, consequentemente, reflete no preço de suas ações. Ou seja, com queda nataxa de juros, gera-se um estímulo para que as empresas potencialmente venham a valer mais por mais consumo e mais investimento próprio.

Por outro lado, o aumento no custo de capital, o aumento da taxa de juros — preço do dinheiro encarece, tendendo a reduzir o valor justo das mercadorias, as empresas passam a valer mais. Uma empresa vale sua geração de caixa futuro, logo, além de se reduzir a geração de caixa porque as pessoas gastarão menos, haverá uma taxa de desconto maior porque as empresas deverão gastar mais para investir mais, tudo isso penaliza os balanços e seus resultados.

efeito defasagem

O efeito defasagem é o tempo que demora para as mudanças na política monetária, ou seja, as mudanças na taxa de juros estabelecida pelo Banco Central, impactarem a economia. Mudanças pequenas na Taxa de Juros podem impactar em até 18 meses para surtir efeito na economia, dependendo de qual estado estamos no Ciclo Econômico.

É muito perigoso os banqueiros errarrem a dosagem do corte ou da alta dos juros por causa desse efeito defasagem. A inabilidade de prospectar o efeito defasagem em tempo real é considerada, a razão pela qual, vemos ao longo da história recessões (até depressões) no país depois do aumento das taxas de juros.

Algumas razões explicam o porquê do efeito defasagem, porque a demora para refletir na população. Por exemplo, quem está financiando uma casa, não se beneficia de pequenas mudanças na taxa de juros. Outra razão, é o fato de os bancos demorarem a repassar esse corte de juros aos clientes, bem como outras empresas, que aguardam a estabilização dos juros para reajustarem aos patamares normais para evitar que os juros retornem a onde já estavam. Já a alta de juros, é repassada imediatamente — a empresa não assume essa conta, apenas o alto spread para si.

Portanto, aqui vimos um pouco de como os Bancos Centrais manobram as taxas de juros em suas economias e a forma como este fator influencia ao longo do tempo nas vertentes de consumo e produção.

Obrigado.

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